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Nascera a fórceps e talvez por isso crescesse com disritmia paroxística de
projeção temporal E, segundo os
diagnósticos baseados em eletroencefalogramas, propenso a ataques
epiléticos, que embora sofresse
muitas ameaças, nunca os tivera, os controlava com o que chamava de Força da
Mente. Tomara fortes
remédios ... misolini, tegretol, e outros ... até aos quinze anos de idade,
quando incentivado por uma
namoradinha, ao sentir-se provocado a comprovar sua capacidade mental, jogou
no canal o último frasco de
remédio que até então administrara em seu corpo, para esse fim.
Venceu, com a força da mente, nunca teria um ataque epilético, seu maior
desafio, somente livrando-se dos
sintomas, fortes tonturas, quando depois de muito rodar terra, foi iniciado
no candomblé, culto Yorubá.
Raspado para Ogum Já - Xorokê.
Desde muito cedo, demonstrara tratar-se de um Guerreiro, protegendo sempre
os fracos que precisavam de
ajuda. E levado aos médicos psiquiatras, respondendo a testes psicológicos,
de QI, etc, sua mãe ouvia o
repetido diagnóstico: - Esse menino não é doente. É um gênio. Tem 165 de QI.
Isso aos quinze anos de
idade. Diziam os médicos que, tratava-se apenas de uma disparidade entre
suas idades, cronológica,
psicológica e amadurecimento ...
Com o tempo passaria ...
Depois de raspado, novos eletroencefalogramas confirmaram nas diversas
vezes, a total inexistência de
disritmia. Nunca mais apresentou o tal sintoma. Apenas sua velocidade mental
aumentava, a cada dia que
passava, durante toda a sua vida.
Sofrera inúmeros acidentes gravíssimos, mas se livrara intacto de todos
eles, fraturas, queimaduras... Desenganado, contrariava o que chamavam
“a lei da ciência” e sobrevivia, recuperava-se. Um ilustre e respeitado
advogado da cidade, estudioso em UFOS, chegara a afirmar que havia
naquele Guerreiro, algo genético de ET - Extra Terrestre, pois
recuperara sem qualquer cirurgia toda a sua musculatura perdida numa
queimadura em mais de sessenta por cento, do corpo, terceiro grau em
grande parte, discemia,
parada dos dois rins e problemas com oxigenação no cérebro. Da perda de
tecido, a junta médica dizia que
aquilo não era rabo de lagartixa e tecnicamente não havia recuperação
natural, pois grande parte da
musculatura havia sido perdida e que somente com diversas cirurgias e
enxertos, talvez fossem
recuperadas as perdas. Não autorizou nenhuma cirurgia e recuperou-se
totalmente em apenas um ano, e
principalmente, sem nenhuma retração muscular prevista, com toda a
flexibilidade que adquirira, em
treinamentos anteriores, nas artes marciais.
Tratava a todo(a)s como se filho(a)s fossem, entrava em todos os combates,
investigativos, políticos,
didático-culturais, poéticos ... Buscando transmitir ao mundo, tudo o que
pudesse, em forma de
conhecimentos obtidos, sempre em busca do multilateral feed back. Travava
verdadeiras batalhas, sempre
em busca do bem e da justiça, mas jamais guardara rancor de quem fosse, sob
forma nenhuma. Buscava
destilar de suas batalhas, o conteúdo, e daquilo retirar mais ensinamentos
para que pudesse repassar
adiante ... Sempre buscando o bem geral, esquecendo-se de si mesmo.
Amigo e companheiro, tantas vezes se tornava ríspido e até agressivo, sem
notar que do outro lado
envolvido, poderia naquele momento existir alguém sensível que sem entender
seus belos propósitos,
demonstrasse sua mágoa, o que o levava a um estado de tristeza e
arrependimento, pelo que, a cada dia que
passava, mais firmemente concluía não haver remédio.
Um doce monstrinho !
Perseguido em tudo o que fazia, pelo bem, encontrando sempre dificuldades
plantadas em todos os setores
de sua existência, civil, social, profissional, vencia bravamente todos os
percalços. Isso causava algo semelhante a inveja, revolta ... Quem sabe ?
...
Quanto mais vencia todos os desafios, notava que muitas pessoas, ainda que
sem ou com motivos,
chegavam a demonstrar suas insatisfações ao vê-lo sempre vitorioso.
Teria sido esse o motivo ?
Na cultura Yorubá, consta que Ogum, Rei de Ire, depois de ter colocado seu
filho no trono em seu lugar,
ausentou-se para a Guerra e ao retornar, novamente vitorioso, encontrou o
povo em silêncio total. Pelas
ruas, espalhadas, taças de vinho, vazias. Cansado das batalhas, faminto,
sedento e saudoso, dirigia-se ao
povo indagando sobre o Príncipe, ao que ninguém respondia, porque todos
encontravam-se em um culto de
silêncio, estabelecido por seu próprio filho. As taças de vinho eram naquele
ato, simbólicas, por isso
estavam vazias. Ao dirigir-se às pessoas não obtendo respostas, revoltou-se
sacou o sabre e começou a
destruir as taças espalhadas pelas ruas. Como o silêncio permanecia, passou,
Ogum, a decapitar os
presentes, tomado por grande ira.
Imediatamente, através de sinais,
conseguiram comunicar o Príncipe, seu
filho, sobre a chegada de seu pai, o Rei.
Ao saber o que acontecia, o jovem Príncipe suspendeu imediatamente o culto
de silêncio e todos passaram
a homenagear o Rei Ogum que chegara vitorioso de mais uma Guerra.
Rapidamente, organizaram, em
Praça Pública, uma majestosa festa e como banquete, serviram a Ogum seu
prato predileto, cachorro. E
enquanto Ogum saciava sua sede e fome comendo cachorro, o povo passava a sua
frente gritando Ogum
Gê Já ! O que quer dizer,
Ogum come cachorro. Daí a procedência do Termo Ogum Já,
a última fase de Ogum em sua passagem pela vida terrena.
Saciadas, sua fome, sede e saudade do filho, Ogum lembrou-se do que havia
feito em sua chegada,
decapitara pessoas, paralisara um culto em sua própria homenagem e ainda
assim, tão bem recebido.
Tomado por grande mágoa, ao ver que não poderia concertar o que fizera,
levantou-se, retirou da cintura o
seu sabre e o silêncio reinou novamente, imediatamente. Todos queriam ouvir
Ogum falar. E Ogum falou: -
Eu já vivi muito ! Aqueles que precisarem de minha ajuda, gritem fortemente
o meu nome e digam a
seguinte frase ... (é secreta - não pode ser divulgada em público) ... Mas
que seja pessoa sincera, e sua
causa, justa, que precise e mereça, realmente, ajuda. Eu virei
imediatamente, de onde quer que esteja, em
seu apoio. Mas digo claramente, se a causa for indigna, ou o chamado partir
de uma falsidade, virei em
combate contra quem me chamar. Imediatamente a seguir, ouviram uma Grande
Explosão, e Ogum
fundindo sua matéria e espírito em uma só energia, conhecida pelos yorubás
por Axé, rumando-se ao solo,
desapareceu para as profundezas da terra,
diante dos olhares atônitos de todas as testemunhas presentes.
Lembrando-se de Ogum, Rei de Irê, o Grande Guerreiro que carregara em si por
toda sua vida, comprou um
saco de lixo de cem litros, um pequeno botijão de gás (cheio) acoplado à
válvula e uma mangueira,
daqueles que abastecem os lampiões e dirigiu-se ao quarto dos fundos de sua
residência, que se situava
sobre a garagem. Subiu a escada, abriu a porta e a janela, para que todo o
gás fosse rapidamente dissipado
sem causar acidentes por concentração.
Com sua caneta procedeu a pequenos furos no saco de lixo para evitar
acidentes por concentração
prolongada, de gás, depositou no solo os apetrechos, sua única bagagem de
viagem ... Deitou-se ao lado
de tudo. E lembrando-se de Ogum quando de sua transformação em Eborá,
inseriu sua cabeça e a ponta da
mangueira no saco de lixo, como se Ogum apontasse seu sabre ao solo... Em voz
alta, repetiu a célebre
frase de Ogum, - Já vivi muito neste mundo ! Se alguém precisar de minha
ajuda, grite fortemente o meu
nome. Mas que seja pessoa sincera, e sua causa, justa, que precise e mereça,
realmente, ajuda.
Eu virei imediatamente, de onde quer que esteja, em seu apoio. Mas digo
claramente, se a causa for
indigna, ou o chamado partir de uma falsidade, virei em combate contra quem
me chamar.
Embutiu a ponta do saco de lixo na gola de sua camisa, tateando com a mão
encontrou e abriu a válvula do
pequeno botijão, chave da Porta, passaporte para sua Grande Viagem ao Novo
Mundo. E como se Ogum,
em estrondosa barulheira, fundisse corpo físico e espiritual em Axé, n'uma só
energia, e adentrasse ao solo,
já transformado em Eborá... Em silêncio dormiu um Sono Eterno, separando seu
corpo espiritual do material,
deixando que sua matéria passasse a alimentar outras matérias e seu
espírito,
tomasse forma de um Corpo Maior, do tamanho do Infinito.
Há quem diga que ele era uma espécie de reencarnação de Ogum.
Será ? ...
Mistérios ...
Heraldo Lage
Amigos Verso & Prosa
http://www.hlage.com
Em 11 de agosto de 2001 - Às 15:14 hs.
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