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ABRAÇA-ME
Cdor Heraldo Lage
Entre tantas coisas que o mundo pode oferecer
Um humilde aprendiz de poeta só quer fortalecer
Sentimento que brota a cada instante, a cada
dia,
Como no conto de fadas em forma de pura magia
Sublime sentimento que cultivado somente
engrandece
A cada vivente que o recita na poesia como fosse
uma prece
Elevada aos céus em homenagem àquela pessoa que
tanto ama
A mulher amada por quem mais que a sua própria
essência clama
Aquela que mantém dentro de si, sempre acesa a
chama,
Que lhe traz mais poderes para vencer as agruras
da vida
Aquela de quem lembra ao deitar ou levantar de
sua cama
Que lhe engrandece a alma para ser vencedor em
sua lida
Quando um poeta ama, algo de bem especial
acontece,
Porque diferente de tantas outras pessoas, no
amor,
Há também a poesia que o sentimento enobrece
Que o faz brilhar como estrela de grande fulgor
Poeta é humilde, nem melhor nem pior que
ninguém.
Capaz de viver na insegurança, com total
segurança,
Se alguma coisa quer pedir, humilde, a esse
alguém,
Pode ser o abraço que lhe dará sua grande
pujança
Quando um amante poeta diz ABRAÇA-ME! Somente
Não busca apenas o contato de corpos,
simplesmente,
Diz ABRAÇA-ME! Em busca de uma grande
sintonia...
Que os integre, corpos, almas, como em uma
sinfonia.
ABRAÇA-ME! Diz o poeta à sua musa, extasiado!
ABRAÇA-ME! Brada o poeta à sua dama,
enfeitiçado!
ABRAÇA-ME! Reclama o poeta à sua musa, o seu
calor!
ABRAÇA-ME! Sussurra o poeta à sua dama, o seu
clamor!
ABRAÇA-ME! Diz o catador de letras, apaixonado,
Àquela que com ternura participa dessa sinergia
Concedendo ao amado sua parte, o seu bocado,
Vivendo aquele momento como em uma liturgia
O ritual que inicia a grande caminhada ao apogeu
Viagem que os conduzirá ao mundo das fantasias
A musa e o poeta que dentre tantas a ela elegeu
Um simples abraço dando início a grandes orgias!
Do amor sem fronteiras, sem pudores, implanta-se
a semente,
Que da quietude em seus mundos separados gera a
simbiose
Ao se unirem os dois corpos que geram Um
terceiro somente
Na Vida que nasce e se desenvolve como em
metamorfose
Muda de forma, cresce, evolui, no início,
dependente,
Do amor e dos cuidados de ambos que lhe deram à
Luz
Para que um dia se forme e se torne um ser
independente
Unindo-se a outro ser bem diferente de quem
agora o conduz
Que n’um simples abraço se inicie tudo
novamente...
Com seu Ser amado possa ver plantada sua semente
Em alguém que o abrace com ternura e tão
somente,
Que realizem em plenitude suas vidas...
Docemente.
Quando se der a separação desse triângulo de
amor
Será como o novo corte do mesmo cordão umbilical
De quem esse casal gerou e cultivou como uma
flor
N’um misto de surpresa, tristeza e alegria
angelical.
Se a saudade vai falar mais alto, ali ninguém
saberá.
Mas o tempo será sempre o maior e melhor remédio
Para amenizar, dessa ausência, o sofrimento, o
tédio.
Incurável saudade que apenas no amor se
sustentará
E enquanto tudo isso acontece
Muitas primaveras ressurgem
Quando o amor daquele casal
Mantém saúde, se engrandece!
Tantas outras novidades surgem
Na nobreza dessa vida conjugal
Com o tempo se esvaindo ao relento
A euforia se transforma em sossego
Do embalo tudo se torna mais lento
No ninho de amor apenas aconchego
Quando o amor daquele poeta
Que deu origem a tanta beleza
Perdura até o final de sua vida
Correspondido por aquela atleta
Que a ele se doou com realeza
Tornando sua vida menos sofrida
Uma nova magia acontece...
Sua obra já não desaparece
Naquele rebento reaparece
Reconhecida se enriquece
Se neste mundo prevalece
E ao se lembrarem dois, dos áureos tempos de
outrora,
Cientes da distância em que se encontram da
aurora
Silentes ante o crepúsculo de suas vidas
virtuosas
Considerando que tiveram suas sinas vitoriosas
Tomados por nova Luz resplandecente
Olhando-se nos olhos mutuamente
Como que em gratidão premente
Repetem como antigamente
Uníssonos, alegremente
Simplesmente
ABRAÇA-ME!
Heraldo Lage
Amigos Verso & Prosa
http://www.hlage.com
Em 18-04-2005 – 23:49 hs.
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