O General Figueiredo ao dar
abertura a democracia,
para o término da ditadura
militar no Brasil,
devia estar lembrando do
Imperador Pedro I,
quando, às margens do Ipiranga
deu o famoso grito:
“Independência ou Morte!”
Mas, quem gritava freneticamente
pela democracia
eram os tais Caras Pintadas...
E, muita gente, a quem a ditadura
incomodava.
O grito era: Diretas... já!
O general deu seu grito de independência particular,
saiu pela porta dos fundos não
entregou a faixa
a quem de direito e não
cumprimentou ninguém.
Não gritou como Pedro I, mas de
qualquer modo,
proclamou novamente a
Independência do Brasil.
Ele deve ter pensado:
Vocês querem a democracia...?
__Tomem-na... E levem pra
vocês.__
E nós tomamos.
Tomamos muito mais que
democracia.
O que aconteceu?
O procedimento do general foi de
covardia?
Não! Não foi! Foi de saco cheio!
Pronto, está aí a democracia.
Mudou alguma coisa para o povo?
Qual o direito que o povo tem?
O povo tenta reivindicar alguma coisa?
Não! Pra quê?
O que conseguiria? Nada!
Será que na época da abertura
o povo estava preparado a
recebê-la, vivê-la?
Até poderia estar, mas para o
povo nada mudou,
não muda e nunca mudará.
Vocês
lembram de um presidente brasileiro,
eleito pelo povo, que via nele
uma promessa,
uma esperança, sangue jovem que
se mostrava sério,
justo e forte?
Pois bem, lembram que após sua
posse
bloqueou as contas bancárias dos
brasileiros,
que à noite foram dormir com fé
no novo presidente,
e de manhã, ficaram sabendo que
haviam perdido
o direito se sacar o seu
dinheiro?
Dias antes ele havia prometido ao
povo, em seus discursos...
que governaria o país com firmeza
e com toda transparência.
Que democracia foi essa que ele
pregou?
Em seus discursos eloqüentes,
mãos cerradas,
um dos braços erguido para o
alto, em suas falas convincentes
inflamava o povo, que sentia seu
pulso forte,
e na firmeza de seu gesto,
a certeza de que ele seria o
governo certo!
Será que por trás desses gestos
tresloucados não havia o
prenúncio de um potente ditador?
A ministra da economia, famosa
pelo belo par de pernas, seduziu quem não devia e também
levou....
Será que de fato cabiam a ela as
culpas que lhe caíram aos
ombros ou ela foi à escolhida
como a vaquinha de presépio,
para as tramas tecidas que vêm de
poderes mais altos
e ocultas para o povo?
Coitadinha, como ministra entrou
pra história...
Seu romance de amor foi publicado
em livro
e alguém lembra na época, com
quem acabou casando?
A primeira dama do país roubou o
dinheiro dos pobres.
Meu Deus! Depois dessa... o
presidente...
Agora, pergunto eu, quem vai nos
tirar do buraco
em
que o general nos meteu?
Os políticos já não pedem, mas,
imploram os votos do povo.
Mil promessas, como sempre,
são feitas às vésperas de
eleição.
Mas, depois de eleitos,
o que eles querem mesmo é que o
povo....
Dercy Gonçalves, nossa grande
comediante,
está coberta de razão.
Pra mostrar a cara dos políticos
brasileiros só mesmo usando palavras de baixo calão.
Eles não disfarçam mais, não
escondem falcatruas e conveniências particulares, que seus
cargos oferecem.
Devem ter sido implantados nas
pontas de seus dez dedos
algum controle remoto universal
que lhe abrem
todas as portas, tanto as do bem
quanto às do mal...
vindo delas algum proveito
eles gargalham e dizem: Ai... Mas
que legal!
Só mesmo quando surge um grande
escândalo e a imprensa
publica a trama nas primeiras
páginas dos jornais, aí sim,
vem o nosso presidente, tão puro,
tão inocente,
nos prometer que serão tomadas
sérias providências...
E, plagiando o bloqueador das
contas bancárias,
diz com ênfase que exigirá
transparência nos resultados
das investigações para punir os
culpados!
Os culpados sempre são muitos,
pois são corjas do mesmo saco...
Os réus escolhem os castigos,
cada um escolhe o seu.
Mas, por homérica coincidência, a
escolha é generalizada...
Sempre a velha carta preparada,
antecipadamente
e o pedido de demissão.
Todos nós sabemos, que, por baixo
do pano
já está tudo preparado.
Um novo cargo, igual ou melhor
que o anterior,
tapinhas nas costas em sinal de
agrado
e tudo volta a ser como antes!
Porque, como sempre, o que muda é
o endereço...
Meu Deus!
Quando, o presidente de uma
nação, eleito pelo povo,
vende a própria pátria a qual
jurou defender, honrar e amar,
como será que o povo se sente?
Deve sentir-se traído, ameaçado,
desprotegido,
sem esperança!
O humor negro com que o
presidente vinha tratando o povo
brasileiro, só pode vir de um
bobo pretensioso prepotente,
cínico e deslumbrado, com a
própria cauda...
tal pavão misterioso!
Ah! Que saudades... do meu
querido Figueiredo!
Vou pintar minha cara de verde,
amarelo, azul e branco,
e na praça dos Três Poderes,
gritar:
Ditadura ... já!
Será que dentro de nossa
democracia tenho o direito
de me expressar dessa maneira?
Bem... amigos...
Que fique somente entre mim e o
povo,
o desabafo de uma cidadã
brasileira!