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Há
anos venho acompanhando as notícias sobre o desmantelamento das Forças
Armadas e sobre a relutância dos governos de FHC e de Lula em reajustar
dignamente os salários dos militares. O cidadão ingênuo até pensaria
que os sucessivos cortes no orçamento do Ministério da Defesa e a
insistência em negar os reajustes salariais à categoria poderiam, mesmo,
decorrer de uma contenção de gastos, dessas que as pessoas honestas
costumam fazer para manter em equilíbrio o binômio receita/despesa,
sem comprometer a dignidade de sua existência.
Mas
depois de tanto acompanhar o noticiário nacional, certamente já ficou
fácil perceber que não é esse o motivo que leva o governo a esmagar a
única instituição do país que se pauta pela ampla, total e irrestrita
seriedade de seus integrantes e que, por isso mesmo, goza do respaldo
popular, figurando sempre entre as duas ou três primeiras colocadas nas
pesquisas sobre credibilidade.
A
alegação de falta de dinheiro é de todo improcedente ante os milhões
(ou bilhões?) de reais que se desviaram dos cofres públicos para os
ralos da corrupção política e financeira, agora plenamente demonstrada
pelas CPMIs em andamento no Congresso Nacional.
O
reajuste salarial concedido à Polícia Militar do Distrito Federal,
fazendo surgir discrepâncias inadmissíveis entre a PM e as Forças
Armadas para os mesmos postos, quando o dinheiro provém da mesma fonte
pagadora - a União -, cria uma situação constrangedora para os que
integram uma carreira que sempre teve entre suas funções justamente a
de orientar todas as Polícias Militares do país, consideradas forças
auxiliares e reserva do Exército (art. 144, § 6º da Constituição
Federal).
Mas
agora a charada ficou completamente desvendada. E se você, leitor, quer
mesmo saber por que raios o governo vem massacrando as Forças Armadas e
os militares, a ponto de o presidente da República sequer receber seus
Comandantes para juntos discutirem a questão, eu lhe digo sem rodeios:
é por pura inveja e por medo da comparação que, certamente, o povo já
começa a fazer entre os governos militares e os que os sucederam.
Eis
algumas das razões dessa inveja e desse medo:
1)
Porque esses políticos (assim como os "formadores de opinião"), que
falam tão mal dos militares, sabem que estes passam a vida inteira
estudando o Brasil - suas necessidades, os óbices a serem superados e
as soluções para os seus problemas - e, com isso, acompanham
perfeitamente o que se passa no país, podendo detectar a verdadeira
origem de suas mazelas e também as suas reais potencialidades. Já os
políticos profissionais - salvo exceções cada vez mais raras - passam a
vida tentando descobrir uma nova fórmula de enganar o eleitor e, quando
eleitos, não têm a menor idéia de por onde começar a trabalhar pelo
país porque desconhecem por completo suas características, malgrado
costumem, desde a candidatura, deitar falação sobre elas como forma de
impressionar o público. Sem falar nos mais desonestos, que, além de não
saberem nada sobre a terra que pretendem governar ou para ela legislar,
ainda não têm o menor desejo de aprender o assunto. Sua única
preocupação é ficar rico o mais rápido possível e gastar vultosas
somas de dinheiro (público, é claro) em demonstrações de luxo e
ostentação.
2)
Porque eles sabem que durante a "ditadura" militar havia projetos para
o país, todos eles de longo prazo e em proveito da sociedade como um
todo, e não para que os governantes de então fossem aplaudidos em
comícios (que, aliás, jamais fizeram) ou ganhassem vantagens
indevidas no futuro.
3)
Porque eles sabem que os militares, por força da profissão, passam, em
média, dois anos em cada região do Brasil, tendo a oportunidade de
conhecer profundamente os aspectos peculiares a cada uma delas,
dedicando-se a elaborar projetos para o seu desenvolvimento e para a
solução dos problemas existentes. Projetos esses, diga-se de passagem,
que os políticos, é lógico, não têm o mínimo interesse em conhecer e
implementar.
4)
Porque eles sabem que dados estatísticos são uma das ciências militares
e, portanto, encarados com seriedade pelas Forças Armadas e não como
meio de manipulação para, em manobra tipicamente orwelliana, justificar
o injustificável em termos de economia, educação, saúde, segurança,
emprego, índice de pobreza, etc.
5)
Porque eles sabem que os militares tratam a coisa pública com
parcimônia, evitando gastos inúteis e conservando ao máximo o material
de trabalho que lhes é destinado, além de não admitirem a negligência
ou a malícia no trabalho, mesmo entre seus pares. E esses políticos
por certo não suportariam ter os militares como espelho a refletir o
seu próprio desperdício e a sua própria incompetência.
6)
Porque eles sabem que os militares, ao se dirigirem ao povo, utilizam
um tom direto e objetivo, falando com honestidade, sem emprego de
palavras difíceis ou de conceitos abstratos para enganá-lo.
7)
Porque eles sabem que os militares trabalham duro o tempo todo,
embora seu trabalho seja excessivo, perigoso e muitas vezes insalubre,
mesmo sabendo que não farão jus a nenhum pagamento adicional, que, de
resto, jamais lhes passou pela cabeça pleitear.
8)
Porque eles sabem que para os militares tanto faz morar no Rio de
Janeiro ou em Picos, em São Paulo ou em Nioaque, em Fortaleza ou
em Tabatinga porque seu amor ao Brasil está acima de seus anseios
pessoais.
9)
Porque eles sabem que os militares levam uma vida austera e cultivam
valores completamente apartados dos prazeres contidos nas grandes
grifes, nas mansões de luxo ou nas contas bancárias no exterior, pois
têm consciência de que é mais importante viver dignamente com o próprio
salário do que nababescamente com o dinheiro público.
10)
Porque eles sabem que os militares têm companheiros de farda em todos
os cantos do país, aos quais juraram lealdade eterna, razão por que não
admitem que deslize algum lhes retire o respeito mútuo e os envergonhe.
11)
Porque eles sabem que, por necessidade inerente à profissão, a atuação
dos militares se baseia na confiança mútua, vez que são treinados para
a guerra, onde ordens emanadas ou cumpridas de forma equivocada podem
significar a perda de suas vidas e as de seus companheiros, além da
derrota na batalha.
12)
Porque eles sabem que, sofrendo constantes transferências, os militares
aprendem, desde sempre, que sua família é composta da sua própria e da
de seus colegas de farda no local em que estiverem, e que é com esse
convívio que também aprendem a amar o povo brasileiro e não apenas os
parentes ou aqueles que possam lhes oferecer, em troca, algum tipo de
vantagem.
13)
Porque eles sabem que os militares jamais poderão entrar na carreira
pela "janela" ou se tornar capitães, coronéis ou generais por algum tipo
de apadrinhamento, repudiando fortemente outro critério de ingresso e
de ascensão profissional que não seja baseado no mérito e no elevado
grau de responsabilidade, enquanto que os maus políticos praticam o
nepotismo, o assistencialismo, além de votarem medidas meramente
populistas para manterem o povo sob o seu domínio.
14)
Porque eles sabem que os militares desenvolvem, ao longo da carreira,
um enorme sentimento de verdadeira solidariedade, ajudando-se uns aos
outros a suportar as agruras de locais desconhecidos - e muitas vezes
inóspitos -, além das saudades dos familiares de sangue, dos amigos de
infância e de sua cidade natal.
15)
Porque eles sabem que os militares são os únicos a pautar-se pela
grandeza do patriotismo e a cultuar, com sinceridade, os símbolos
nacionais notadamente a nossa bandeira e o nosso hino, jamais
imaginando acrescentar-lhes cores ideológico-partidárias ou
adulterar-lhes a forma e o conteúdo.
16)
Porque eles sabem que os militares têm orgulho dos heróis nacionais
que, com a própria vida, mantiveram íntegra e respeitada a terra
brasileira e que esses heróis não foram fabricados a partir de
interesses ideológicos já que, não dependendo de votos de quem quer que
seja, nunca precisaram os militares agarrar-se à imagem romântica de um
guerrilheiro ou de um traidor revolucionário para fazer dele um símbolo
popular e uma bandeira de campanha.
17)
Porque eles sabem que para os militares o dinheiro é um meio, e não um
fim em si mesmo. E que se há anos sua situação financeira vem se
degradando por culpa de governos inescrupulosos que fazem do verbo
inútil - e não de atos meritórios - o seu instrumento de convencimento
a uma população em grande parte ignorante, eles ainda assim não
esmorecem e nem se rendem à corrupção.
18)
Porque eles sabem que se alguma corrupção existiu nos governos
militares, foi ela pontual e episódica, mas jamais uma estratégia
política para a manutenção do poder ou o reflexo de um desvio de
caráter a contaminá-lo por inteiro.
19)
Porque eles sabem que os militares passam a vida estudando e
praticando, no seu dia a dia, conhecimentos ligados não apenas às
atividades bélicas, mas também ao planejamento, à administração, à
economia o que os coloca em um nível de capacidade e competência muito
superior ao dos políticos gananciosos e despreparados que há pelo menos
20 anos nos têm governado.
20)
Porque eles sabem que os militares são disciplinados e respeitam a
hierarquia, ainda que divirjam de seus chefes, pois entendem que eles
são responsáveis e dignos de sua confiança e que não se movem por
motivos torpes ou por razões mesquinhas.
21)
Porque eles sabem que os militares não se deixaram abater pelo massacre
constante de acusações contra as Forças Armadas, que fizeram com que
uma parcela da sociedade (principalmente a parcela menos esclarecida)
acreditasse que eles eram pessoas más, truculentas, que não prezam a
democracia, e que por dá cá aquela palha estão sempre dispostos a
perseguir e a torturar os cidadãos de bem, quando na verdade apenas
cumpriram o seu dever, atendendo ao apelo popular para impedir a
transformação do Brasil em uma ditadura comunista como Cuba ou a antiga
União Soviética, perigo esse que já volta a rondar o país.
22)
Porque eles sabem que os militares cassaram muitos dos que hoje estão
envolvidos não apenas em maracutaias escabrosas como também em um golpe
de Estado espertamente camuflado de "democracia" (o que vem enfim
revelar e legitimar, definitivamente, o motivo de suas cassações), não
interessando ao governo que a sociedade perceba a verdadeira índole
desses guerrilheiros-políticos aproveitadores, que não têm o menor
respeito pelo povo brasileiro. Eles sabem que a comparação entre estes
últimos e os governantes militares iria revelar ao povo a enorme
diferença entre quem trabalha pelo país e quem trabalha para si
próprio.
23)
Porque eles sabem que os militares não se dobraram à mesquinha ação da
distorção de fatos que há mais de vinte anos os maus brasileiros
impuseram à sociedade, com a clara intenção de inculcar-lhe a idéia de
que os guerrilheiros de ontem (hoje corruptos e ladrões do dinheiro
público) lutavam pela "democracia", quando agora já está mais do que
evidente que o desejo por eles perseguido há anos sempre foi - e
continua sendo - o de implantar no país uma regime totalitário, uma
ditadura mil vezes pior do que aquelas que eles afirmam ter combatido.
24)
Porque eles sabem que os militares em nada mudaram sua rotina
profissional, apesar do sistemático desprezo com que a esquerda sempre
enxergou a inegável competência dos governos da "ditadura", graças aos
quais o país se desenvolveu a taxas nunca mais praticadas, promovendo a
melhoria da infra-estrutura, a segurança, o pleno emprego, fazendo,
enfim, com que o país se destacasse como uma das mais potentes
economias do mundo, mas que ultimamente vem decaindo a olhos vistos.
25)
Porque eles sabem que os militares se mantêm honrados ao longo de toda
a sua trajetória profissional, enquanto agora nos deparamos com a
descoberta da verdadeira face de muitos dos que se queixavam de terem
sido cassados e torturados, mas que aí estão, mostrando o seu caráter
abjeto e seus pendores nada democráticos.
26)
Porque eles sabem que os militares representam o que há de melhor em
termos de conduta profissional, sendo de se destacar a discrição
mantida mesmo frente aos atuais escândalos, o que comprova que, longe
de terem tendências para golpes, só interferem - como em 1964 - quando
o povo assim o exige.
27)
Porque eles sabem que os militares, com seus conhecimentos e dedicação
ao Brasil, assim como Forças Armadas bem equipadas e treinadas, são um
estorvo para quem deseja implantar um regime totalitarista entre nós,
para tanto se valendo de laços ilegítimos com ditaduras comunistas como
as de Cuba e de outros países, cujos povos vêem sua identidade nacional
se perder de forma praticamente irrevogável, seu poder aquisitivo
reduzir-se aos mais baixos patamares e sua liberdade ser impiedosamente
comprometida.
28)
Porque eles sabem que os militares conhecem perfeitamente as causas de
nossos problemas e não as colocam no FMI, nos EUA ou em qualquer outro
lugar fora daqui, mas na incompetência, no proselitismo e na
desonestidade de nossos governantes e políticos profissionais.
29)
Porque sabendo que ninguém pode enganar todo mundo o tempo todo, o
governo temia que esses escândalos, passíveis de aflorar a qualquer
momento pudessem provocar o chamamento popular da única instituição
capaz de colocar o país nos eixos e fazer com que ele retomasse o
caminho da competência, da segurança e do desenvolvimento.
30) Porque eles sabem, enfim, que todo o mal que se atribui aos
militares e às Forças Armadas - por maiores que sejam seus defeitos e
limitações - não tem respaldo na Verdade histórica que um dia há de
aflorar. E, graças a Deus, esse processo já começou!
Por Marli Nogueira
(Juíza do Trabalho em Brasília)
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