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Neli
Neto
O mundo se encontra tão
inconstante, cercado pela insegurança, doente com tantas ocorrências
estranhas, naturais, que sinceramente, não sei aonde vamos parar.
O caminho que surge à nossa frente, já foi nos dito há muito tempo
atrás. É o apocalipse que invade, devastando a natureza, destruindo
os povos, banindo com a consciência, degredando os sentimentos que
vieram inatos em nós.
A humanidade está completamente falida, com seus valores alterados.
O desrespeito é muito grande, começando sempre por cima, pelo mais
alto escalão. Chefes de nações alienados, políticos corruptos
exacerbados pelo poder, que teriam que dar o exemplo, sendo espelho
de dignidade, de respeito aos cidadãos.
A cada dia que abro o jornal e vejo as notícias locais e mundiais,
me apavoro. O aumento da maldade humana é bem visível, fato público
e notório. Corrupção de políticos; catástrofes naturais que se
agigantam, tornando-se quase diárias, como verdadeiros algozes; o
terrorismo se impondo desordenadamente numa atitude hostil,
destruindo em nome de uma ideologia nociva, matando inocentes em
atentados febris; drogas alucinógenas invadindo a sociedade,
aprisionando seres incautos, levando alguns deles à morte, outros a
cometerem crimes sórdidos em nome de um êxtase momentâneo; polícia
matando o mocinho em nome do bandido, enfim, a degeneração moral
como parceira, em todos os nossos dias.
Desde que me entendo por gente, que nunca tinha visto tanta desgraça
junta, tantas desavenças, tanta perturbação mundial, tanto caos
social, tanta violência, tanta perversidade com requintes de
crueldade, como tenho visto agora.
As famílias que deveriam ser unidas não estão, o que seria a
principal razão, para se poder enfrentar qualquer mal que a venha
atingir. Não é a toa que dizem, que a união faz a força! Desunidas
se enfraquecem, e a desarmonia toma conta, deixando que a discórdia
aconteça e se dê início a uma peleja sem fim. Os filhos
desestruturados, cada qual pensando em si e não no todo, só pensam
em se dar bem, não importando a quem atingir, a quem magoar, a quem
irão violentar, para conseguir seus reais e nefastos objetivos.
Os amigos, seres unidos por um sentimento, pelas forças do bem, não
mais se amparam e sim, se isolam, cada qual por si, gerando
desavenças tolas, sem qualquer razão de ser. Deixam que
desentendimentos tomem conta de sua razão e emoção provocando
contendas inúteis, para não mais ficarem do mesmo lado, coesos e
sim, se tornarem adversários, na luta do bem contra o mal.
As pessoas se digladiam impondo uma supremacia, fazendo prevalecer
seus interesses, suas idéias e vontades na conquista do poder
financeiro. O dinheiro ao invés de ajudar, alimentar, vestir,
calçar, promover saúde, educação, gerar empregos, passa a ser motivo
de desajustes, de cobiça pelos seres ávidos, que acabam usando de
estratagemas ardilosos pensando em ganhar mais e mais, cada vez
mais.
Se inúmeras vidas serão ceifadas para que seus objetivos sejam
atingidos, se o sangue derramado através de uma batalha inútil, irá
formar um mar de extermínio em seus devaneios de conquistas, não
importa!
O que importa é sair vitorioso mesmo que em detrimento de uns, mesmo
que com o sofrimento de outros, passando sempre por cima de tudo e
todos.
A ganância, uma ambição desmedida, provoca a maior predominância ao
seu império de perversidades, com agravantes perniciosos que
estimulam seus comportamentos, os afastando da sua real crença de
vida, de sua fé em um poder divino existente acima de todos nós.
Até mesmo a fé, hoje em dia, é usada como subterfúgio, no estímulo
do manifesto de uma crença, que, através de artifícios maliciosos,
de palavras enganosas só buscam lucros. E é através delas, que o
aumento de seus rendimentos acontece, para continuarem a usar o luxo
em suas andanças.
Só esqueceram de um pequeno detalhe: Jesus quando veio ao mundo,
veio despido de qualquer cobiça. Ele saia em pregação na maior
simplicidade, procurando praticar sempre o bem, doando suas palavras
de amor, sem se preocupar com riquezas, de ostentar roupas caras e
sempre, de pé no chão!
Já pararam para pensar, que se todas as sedes religiosas do mundo,
de todas as tantas religiões existentes, doassem só um tantinho da
fortuna acumulada no correr de todo o tempo, aos povos sacrificados
pelas intempéries, aos seres agonizados por fome, sede, peste saída
de escombros, doenças em sua maioria sem cura, outras que nunca
existiram e hoje surgem nascidas da profundeza da terra como uma
praga silenciosa, a miséria humana deixaria de existir.
Será que é isso que eles querem? Será que isso é viável? Para que
dividir se é melhor ficar com tudo! Onde está a misericórdia? Será
que não sentem qualquer compaixão pelo ser humano afetado, seu
irmão? Sim, porque perante a Deus somos todos irmãos, independente
de credo ou raça. Será que foi para isso que Jesus veio ao mundo e
pregou com suas sábias palavras um dia? Será que foi para isso que
Deus criou o mundo, o homem? Para ver seu planeta sucumbido pelas
suas mãos?
Se os clérigos se intitulam representantes do Senhor na terra porque
não agem como tal? Não usam o mesmo comportamento que pregam, que
tanto enaltecem em seus púlpitos frente a centenas de fiéis que
engolem seus dizeres, suas palavras santas em verdadeiro delírio.
E nós? Porque assistimos e escutamos calados a tudo, a toda uma
desorganização sócio-política de braços cruzados? Porque nos
afastamos de nossas crenças interiores, nossa fé? Porque?
Não seria mais digno colocarmos a boca no trombone e sair colocando
em pratos limpos o que nos incomoda, o que nos enfraquece, que mina
nossa confiança na vida, no planeta, no ser humano de modo geral?
Porque sermos cúmplices silenciosos de toda uma ruína armada,
verdadeiras teias preparadas por homens inconscientes e
irresponsáveis que só pensam em tirar proveitos de tudo e todos?
Calados, nos tornamos também responsáveis pelos seus atos insanos.
Que tal mudarmos nossos conceitos, sermos mais determinados em
nossas ações? Usarmos mais nosso poder de persuasão, maior
compreensão nas atitudes a serem tomadas?
Olharmos ao nosso redor com mais complacência, sem agressões
desnecessárias. Ter o perdão e a caridade sempre espelhados em nossa
alma e coração. Orarmos por aqueles impiedosos que se encontram
cobertos pela nuvem negra da luxúria, implorando que Deus seja
misericordioso e ilumine seus pensamentos e seus atos, quem sabe
até, acabando por se tornarem homens dignos.
Emanarmos pensamentos de bondade para aqueles que se encontram
desajustados, desorientados, acometidos pela febre do poder. Que
eles consigam se desprender da vida material e perder um pouco de
sua atual arrogância, expiando seus pecados, acordando para a
existência com a firmeza de permanecer, sem desvios, no grande
compromisso assumido com a verdade.
Cuidarmos melhor do nosso planeta, de suas matas, de seus rios,
oceanos e de todos os seres que nele habitam. Não deixarmos que a
natureza morra através de nossas mãos, minimizando seu desgaste, ao
espalhar sementes de esperança através de nossas idéias, de uma
mudança radical de vida aos quatro cantos do universo, em todas as
línguas se possível for. Assim, de certo faríamos a nossa parte.
Poderíamos dormir tranqüilos com a certeza do nosso dever cumprido,
o que nos traria em conseqüência, muito mais paz de espírito.
Se isso acontecer, quem sabe o protesto divino se cale, e a Sua
complacência se espalhe ao nosso redor, nos dando uma maior
vitalidade e energia para vencermos o veneno daquele ser impiedoso
que seria o causador, com todo o seu desprezo, pelo fim da
humanidade: o próprio Homem.
Neli
Neto
03.11.2005
19:03 hs - RJ
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